São Paulo, 01 de setembro de 2008

Rio de Janeiro, capital do Brasil

 


Fátima Silva

 

 

O Rio de Janeiro, cidade de paisagens magníficas é mais que uma referência turística e fez parte da história brasileira, como uma província de importância estratégica e econômica, tendo sido a capital da colônia muito antes de Brasília ser construída. Isso começou em uma época em que os limites do país ainda estavam sendo desenhados em meio a constantes ameaças de invasão e a necessidade de Portugal avançar pelas terras brasileiras fortalecendo o seu domínio.

A cidade, que teve um crescimento lento durante o século XVII, tomou novo impulso com a descoberta de ouro em Minas Gerais; a vinda da Família Real e a abertura dos portos, no século XIV . Antes disso, porém, apenas algumas ruelas ligavam as igrejas ao Paço e ao Mercado de Peixe que ficava à beira do cais do porto. Foi desse pequeno aglomerado que surgiram as principais ruas do centro do Rio de Janeiro. A cidade não possuía saneamento básico e a era um lugar sujo e fétido, pois urina e fezes eram jogadas nas ruas, onde também havia animais e o comércio de alimentos.

Alguns historiadores contam que a exuberante vegetação vista dos navios que chegavam à Baía de Guanabara era, na realidade, uma moldura de arbustos colocados de modo a esconder a imundície que impregnava a província. Com a vinda da família real e sua corte de aproximadamente 15 mil pessoas em 1808, houve a urgente necessidade de expandir e adaptar a cidade para receber os portugueses.

Isso aconteceu abruptamente, inclusive com a desapropriação das melhores casas para abrigar os nobres visitantes. Essa situação, no entanto, trouxe também melhorias para a cidade e escolas, teatros e bibliotecas foram erguidos, estradas e ruas foram abertas. Lugares onde antes só havia uma ou outra chácara foram sendo habitados, fazendo com que novos bairros surgissem e os acessos fossem facilitados.

Com a nova condição portuária o Rio de Janeiro se tornou a mais movimentada cidade do continente e o número de estrangeiros que aqui chegavam foi fundamental para consolidar o crescimento inevitável. Italianos, chineses, ingleses contribuíram tanto para a colonização quanto para a cultura da província, e do país, ao se misturar aos europeus; índios e escravos que já haviam por aqui. Esse progresso atraiu também os olhares de nações interessadas em tomar a colônia o que deixava os portugueses em uma constante preocupação com novas invasões.

Era no Rio de Janeiro que se encontravam as principais forças militares e se concentravam as negociações de controle do sul do país. A cidade possuía o porto mais importante e com a grande circulação de ouro e diamantes vindos de Minas Gerais, foi aqui que ficaram armazenadas as maiores riquezas da colônia. A constatação de que era o Rio de Janeiro um centro econômico e estratégico da colônia, já vinha se fortalecendo aos poucos, mas só se tornou oficial em 1763, quando o Conde da Cunha foi nomeado Vice-Rei do Brasil, vindo morar no Rio de Janeiro e a capital foi transferida de Salvador, obedecendo a uma ordem do ministro português Marques de Pombal.

O último governador da cidade, antes dela se tornar capital, foi o Conde de Bobadela, senhor Gomes Freire, um grande negociador nas questões de limites do país. Ele governou por 30 anos, de 1733 a 1763 (quando faleceu) sendo responsável por diversas construções importantes da cidade, entre elas a Fortaleza da Conceição, em 1743; Os Arcos da Carioca, a partir de 1750 e o Convento de Santa Teresa, onde foi sepultado, de acordo com sua vontade. Sua morte e a necessidade de um governo forte no Rio de Janeiro foram fatores culminantes, somados aos já citados, para que a capital fosse transferida de Salvador.

Em 1960, quase duzentos anos depois, a capital foi transferida para Brasília, mas o Rio de Janeiro perdeu apenas sua referência política, prevalecendo o charme de uma cidade que transformou qualquer seqüela das invasões estrangeiras em matizes que só fazem realçar a pluralidade única da cidade.


Alguns nomes da cidade;
Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro
Capitania Real do Rio de Janeiro
Capital do Reino de Portugal e dos Algarves
Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves

 


Outras crônicas da autora publicadas no Jornaleco