São Paulo, 10 de abril de 2010

Palácios Cariocas:

Palácio Guanabara

 


Fátima Silva

 


O Palácio Guanabara começou a ser construído em 1853, pelo comerciante José Domingos Coelho, numa propriedade chamada Chácara do Rozo e tida como a mais bonita da então Rua da Guanabara (atual Pinheiro Machado), no bairro Laranjeiras, cidade do Rio de Janeiro. Quando o governo imperial adquiriu a propriedade, em 1865, o acesso ao palácio era feito pela Rua Paissandu, que foi ornada com uma centena de palmeiras imperiais, dispostas em duas fileiras. Os jardins do Palácio são em estilo francês, possuem formas geométricas, onde se destacam os gramados e as flores, plantadas também geometricamente, e fazendo bela composição com esculturas de mármore. Destacam-se um lago octogonal com um grande Netuno cercado de quatro figuras menores, todas em bronze. Espalhado por todo o Palácio, encontra-se significativo patrimônio artístico, tais como esculturas, painéis e quadros. No período de 1987 a 1990, o Palácio passou por novas reformas, que tinham por objetivo restaurar a sua essência histórica, comprometida nas inúmeras reformas anteriores que o descaracterizaram.

Conta uma antiga lenda que um escravo participava da primeira reforma do Palácio Guanabara, durante a monarquia, quando foi torturado pelo feitor até a morte. Antes, porém, do último suspiro, lançou uma maldição sobre o palácio dizendo; “Nenhum morador da mansão da Rua Guanabara terá tranquilidade enquanto lá viver”. Verdade ou não existe uma lista de possíveis vítimas da maldição que ao longo da história passaram por esse palácio e que hoje é sede do governo do estado do Rio de Janeiro.

O primeiro governante a ocupar o palácio, foi a Princesa Isabel. Por ocasião de seu casamento com o Conde D’eu, em 1865, o governo imperial adquiriu o palacete para ser residência do casal. O palácio passou então, por uma reforma feita pelo arquiteto José Maria Jacinto Rebelo e recebeu o nome de Paço Isabel. Após a proclamação da República, em 1889, no entanto, o casal de príncipes foi expulso do palácio quando o mesmo foi confiscado pelo governo militar, passando a ser patrimônio da União. Até os dias atuais, a Família Imperial tenta retomar sua posse em um dos processos jurídicos mais antigos do país.

Em 1908, o palácio foi totalmente reformado pelo Prefeito do Distrito Federal, Marechal Souza Aguiar, o que o fez perder as características neoclássicas e adquirir um estilo eclético. Essa reforma objetivava adaptar o prédio para servir como residência do Rei de Portugal que viria ao Brasil em viagem oficial, mas com o assassinato do Rei não houve tal visita.

Em 1920 o rei Alberto da Bélgica sofre um acidente e vem a falecer depois de passar um mês morando no palácio. O presidente Washington Luiz, que morou no palácio, foi deposto e levado preso, em 1930.

Em 1938, o palacete foi atacado por cerca de 80 membros do partido AIB (Ação Integralista Brasileira), entre os quais membros da família real brasileira, liderados por Severo Fournier, que quase conseguiram entrar na propriedade e matar Getúlio Vargas, mas o Exército e a Polícia Especial controlaram a situação.

A partir de 1946, o palácio passou a sediar a Prefeitura do Distrito Federal até 1960, ano da criação do Estado da Guanabara, quando passou a ser a sede do governo do Rio de Janeiro e o Palácio Laranjeiras passou a ser a residência oficial dos governantes.

Em 1954, Getúlio Vargas suicidou-se no Palácio do Catete, depois de ter usado o Palácio Guanabara como residência oficial durante o período do Estado Novo (1937-1945). Ainda na década de 50, o palácio tornou-se sede da prefeitura. Oito prefeitos não concluíram o seu mandato.

Maldições à parte, o Palácio Guanabara se destaca em meio ao verde de seus jardins e dos morros vizinhos sendo mais um belo exemplar desses palácios magníficos que se espalham pela cidade do Rio de Janeiro, tendo a seu favor histórias mais felizes e amenas como a assinatura da lei Áurea em 1808 e a hospedagem de figuras ilustres como o Príncipe de Gales, Eduardo VIII da Inglaterra e o Duque de Windsor na década de 20. Como em outros prédios históricos da cidade, ele tem em si impregnadas as marcas dos acontecimentos dos quais foi cenário, apesar de pouco guardar em semelhança física do que era nos tempos do império brasileiro.



 

Outras crônicas da autora publicadas no Jornaleco