São Paulo, 25 de setembro de 2002
Entrevista:
Teotonio Simões
criador do site www.ebooksbrasil.com
Teotonio Simões, nasceu em Dois Córregos, SP, perto do rio Jacaré-Pipira, um dos únicos rios jamais poluídos do Estado de São Paulo, mudou para a capital, dez Sociologia e foi publicitário durante 35 anos. Mora numa rua tranqüila de Santa Cecília, e é o fundador do site ebooksbrasil.com, que está no ar desde 29 de outubro de 1999. O dia não é uma coincidência. Teotonio escolheu-o por ser o Dia Internacional do Livro. Hoje a ebooksbrasil.com possui mais de dez mil títulos publicados.( pauta de Mécia Rodrigues, Janer Cristaldo e Olgierd Sokolowski)
Jornaleco: Como foi sua relação com a leitura durante a vida?
Teotonio: Comecei a ler, não parei mais. De início, gibis. Daí, para livros da coleção Mirim, que ganhei de um tio. Depois, depois, tudo. Pais e parentes sabiam: para mim, presentes eram livros. Em Dois Córregos, ganhei a Coleção Terramarear inteirinha. E, mensalmente, passava por uma livraria que recebia os exemplares da Coleção Saraiva e do Clube do Livro: eles publicavam, eu lia.Jornaleco: E com o computador?
Teotonio: Sou jurássico também na modernidade: do tempo do XT, sem winchester (antigo nome do HD), que winchester era cara, muito cara. Primeiro se colocava o sistema operacional, um DOS que cabia em um disquete dos grandões, depois o programa... e rezar para não dar pau. O computador era 90% RAM: vaga lembrança, nenhuma memória. Apagou, babau! Tela de fósforo, verde, comandos de linha. Daí, fui acompanhando a evolução digital. Muitos programas e experiências viraram mortos. O próprio computador foi diminuindo e ficando mais forte. A internet, descobri-a em 1990, nos tempos de Alternex e das BBS. Quando chegou a web, a www, que está quase sendo sinônimo de internet para os recém chegados, eu já estava na rede. Pular das BBS discadas com comandos de linha para o Mosaic, foi como pular do DOS para o Windows. Ainda tenho o primeiro Mosaic e, uma raridade, provavelmente, hoje: o "The Whole Intert User's Guide", do Ed Krol, edição especial, que vinha no "Internet in a Box". O bobão aqui chegou a procurar nas livrarias livros sobre html. Não tinha. Descobri naquele instante que as novidades na web deveriam ser procuradas... na web. Li o manifesto de independência da internet e gostei. Tornei o w3 um país a ser visitado pelo menos uma vez por mês.Jornaleco: Aí surgiram os livros digitais.
Teotonio: Os livros digitais surgiram antes, bem antes dos eBooks. O projeto Gutenberg é, imagine, de 1971, os livros, em txt. Já nos tempos de web, o Calvo, na Itália, mantinha o Liber Libris. Sem contar com muitas outras iniciativas, inclusive no Brasil. O bibvirt, da USP, é anterior aos eBooks, com livros digitais em rtf e html. O Jaime Mendonça, com a virtualbooks, já disponibilizada em pdf. Eu mesmo já tinha colocado livros na web em puro html, zipados. Os eBooks, realmente, só surgem em 1998, com o RocketEbook e a Open eBook Initiative.Estava eu, no SMIL@TeoCom, desenvolvendo meus SMILs (Synchronized Multimedia Integration Language), uma aplicação de XML, dialeto domesticado da SGML, quando me deparei na web com o Open eBook Initiative (hoje Open eBook Forum), os eBooks Readers e a especificação opf, ainda em esboço. Dos aparelhinhos de eBook, o único que era vendido pela web era o Rocket eBook, da NuvoMedia. Ora, pensei com meus botões: quem quer que queira lançar uma coisa dessas, que vai revolucionar a leitura globalmente, e não entenda de web, está cometendo um equívoco. Minha opção pelo Rocket então foi óbvia. Comprei meu primeiro na hora, na barnes&noble e recebi três dias depois pela FedEx. Com o aparelho vinha o Rocket-Librarian que permitia a confecção de eBooks direto de html e a possibilidade de contribuir com eles para a Rocket-Library.com, uma eBiblioteca Pública, autogestionária, mantida pela NuvoMedia. Deixei de lado por uns tempos o SMIL e mergulhei nos eBooks. Abri no meu site pessoal www.teotonio.org uma seção sobre eBooks, comecei a contribuir para a Rocket-Library.com, com a eBookweb, desde o início, me enturmei com a comunidade dos eBooks que começava a surgir na web. Discussões que, hoje, parecem bobas, eram importantes então. Tipo: como denominar os eBooks? eBooks (que virou consenso), ebooks, e-Books, Digital Books...ou simplesmente books? Alguns franceses protestaram. Meu amigo Germain, da eBooksFrance, propôs (propõe) efolio. Explica-se: ele é francês. Quando a Rocket-Library.com resolveu fazer premiação simbólica para estimular contribuições á biblioteca, tive a surpresa de ser o primeiro "contribuidor" escolhido. Em português, naquela altura, já existiam mais de 400 eBooks disponíveis no formato rb. E mais umas contribuições em outras línguas, inclusive uma homenagem a Giordano Bruno e a Pico dela Mirandola em latim, e a réplica da primeira edição do Pinocchio em italiano. Editar, no mesmo dia, a Bíblia e o Don Quijote, quem imaginaria? Sai a propagar, por aqui, aos quatro ventos, a novidade. Perdi um bom tempo com editoras, liveiros online, entidades de escritores, bibliotecárias. Os eBooks só viraram notícia quando Stephen King lançou o Riding the Bullet. E isso porque toda a imprensa mundial noticiou... inclusive, claro, as agências noticiosas.
Jornaleco: Como surgiu a eBooksBrasil?
Teotonio: A eBooksBrasil começou a nascer em 15 de agosto de 1999, no eBooks@TeoCom, com algumas notícias e experimentações. Em setembro, resolvi estabelecer dois sites especificamente para eBooks. O modelo que escolhi foi o de manter uma eBiblioteca Pública, no estilo da Rocket-Library.com, em português, para divulgar os eBooks e um site, comercial, com uma outra URL: ebooksportugues.com. O primeiro foi para a frente, o outro aguarda melhores dias. No estabalecimento da eBooksBrasil contei com o apoio do Nélson Jahr, do Lázaro Chaves, de muitos e muitos amigos de internet. Isso deu força. Simbolicamente, escolhi a data do dia nacional do livro, 29 de outubro, como o dia de lançamento oficial do site. De início, só com RocketEditions. Depois, à medida que novos formatos foram surgindo, passamos a disponibilizar também para o MSReader, MobiPocket, eBookPro (livro digital compilado), hiebook, adobe eBook... E fiz uma experimentação com puro xhtml, com o eBookLibris. Na área específica de eBook, o critério utilizado foi o de conformidade com opf e a disponibilidade de um eBook Reader, quer programa, quer aparelhinho de leitura. Foi por isso, por exemplo, que só abrimos uma área para pdf quando a Adobe aderiu aos eBooks com o Acrobat 5.0. Mas essa área do site não foi muito para frente porque a Adobe só disponibiliza o Acrobat por um preço educacional para entidades educacionais. Elas então que produzam os livros neste formato... se é que a Adobe acredita que elas produzirão...Mas na eBooksBrasil não somos tão turrões assim: se alguém manda o livro em pdf, colocamos em pdf.Jornaleco: Que tipo de dificuldade você enfrentou?
Teotonio: Nenhuma. As minhas expectativas foram logo reduzidas à realidade depois dos primeiros encontros e reuniões com o pessoal da cola e papel. Não encontrei neles o mesmo entusiasmo que tivera ao tomar contato com os eBooks. Um chegou a dizer que "ah! sim! um novo suporte!" E todos, sem exceção, se mostraram mais preocupados mesmo com a proteção de direitos autorais. Aí pensei: "cada coisa a seu tempo, os copistas também não devem ter gostado da prensa do Gutenberg". E reduzi as minhas expectativas comerciais a zero. Assim, me concentrei na semeadura, sem pensar ou sofrer pela colheita. Passado o auê inicial, os eBooks pisam hoje em dia terra firme e se estabelecem lentamente, como é apropriado a todas as grandes mudanças e às madeiras de lei.Grandes editoras americanas, que saíram atrás dos eBooks pensando em colher potes de ouro no outro lado o arco-íris, perceberam que a época da colheita ainda não tinha chegado. Algumas desistiram, outras amainaram o passo. Por que deveria ser diferente por aqui, país em que a prensa do Gutenberg esperou mais de séculos para chegar? O fato é que os eBooks existem, há livros sendo disponibilizados em eBooks e há autores que começam (ou continuam) a publicar em eBooks e há leitores para eles.
Jornaleco: Como foi a receptividade da ebooks? A mída impressa deu a devida publicidade?
Teotonio: No início, solene descaso. Com o Stephen King lançando o Riding the Bullet exclusivamente em eBook e toda a imprensa mundial, inclusive as agências noticiosas, cobrindo, ficou difícil ignorar. Por ocasião da bienal do livro de 2000, em São Paulo, parecia até que havia mais notícias sobre os eBooks do que sobre a própria bienal. Ondas, ainda, do Riding the Bullet. Aí foi a experiência do João Ubaldo publicando "o primeiro e-book brasileiro"... em pdf e com tantos cuidados com direitos autorais, verdadeiros mata-burros para o potencial comprador e com exclusividade na submarino.com, o que provocou, sem dúvida, um certo desagrado nos demais livreiros. Uma experiência tão bem sucedida que sequer foi repetida. Depois, silêncio. Umas poucas linhas, aqui ou ali, anunciando a morte dos eBooks, coitadinhos. Algumas notícias sobre os desistentes, muitos, alguns deles que sairam gritando: "atenção, atenção, não há potes de ouro do outro lado do arco-íris!" E é verdade. Mas quem quer que edite em cola e papel também sabe: fora dos cofres públicos, fora de alguns autores, poucos, também não há potes no fim do arco-íris. Há mais ouro nos pastéis de feira. Não é por acaso que as áreas de CDs e revistas nas livrarias dos Shopping são as que mais crescem.
Jornaleco: Como o intelectual brasileiro reagiu ao livro digital?
Teotonio: Esta pergunta seria mais apropriada se feita aos "soi disant" intelectuais brasileiros. Mas, de longe, não fazendo parte, como não faço, da caravana chapa branca, tive notícias, aqui e ali, de algumas reações. O presidente da Câmara Brasileira do Livro disse "imagine se alguém vai ler na tela de um computador!" - cito de memória. Mario Prata se manifestou contra. João Ubaldo reiterou que não gosta do computador, algo inaudito para um pioneiro dos e-Books, com direito a hífen. Lígia Fagundes Teles, porta-bandeira e porta-voz do oficialismo, se pronunciou contra. Tentaram "repercutir" comigo essa importante declaração. E eu disse, repito aqui: "também sou contra o nascer do sol quando na noite anterior fui dormir tarde. Mas o sol não me ouve." Parece que todos, poucas e honrosas exceções, adoram o "cheiro" dos livros em cola e papel. Omitem o mofo e as traças. Haverá um dia eBook com "cheirinho"? Paulo Coelho, contudo, deu o maior apoio: autorizou a publicação do Maktub II em português, do Monte Cinco em inglês, do Alquimista em russo. Publicados pela eBooksBrasil. Mas Paulo Coelho não é um "intelectual brasileiro", não é mesmo? Ele vende os livros que publica. O Sarney, não sei se foi ouvido a respeito.Jornaleco: O que mudou na forma, e na freqüência da leitura desde a última reforma ortográfica?
Teotonio: Cada vez, parece-me, dizem que se lê menos. Mas, de acordo com a Câmara Brasileira do Livro, se edita mais. Um paradoxo a que não tive tempo de dedicar minha curiosidade. Estou muito ocupado editando.Jornaleco: O que nós, brasileiros, perdemos com essa última reforma ortográfica?
Teotonio: Parece-me que, a queda dos diacríticos (terá acento ainda?) foi lastimável (terá agudo?). Ontem buscamos e hoje buscamos melhorar. Em que tempo encontraremos?Jornaleco: O advento do ebook beneficou deficientes físicos?
Teotonio: Essa é séria. Tenho recebido com freqùência emails de deficientes visuais que achavam que tinham perdido o prazer da leitura e que o reencontraram graças aos eBooks. O fato de você poder aumentar o corpo das letras, escolher o tipo de letra, até (no caso do MSReader e do adobe eBook) pedir que o livro seja "lido", são fatores importantes para deficientes visuais. Um usuário da eBooksBrasil, portador de aguda deficiência visual, me mostrou, por exemplo, a importância de poder optar por um fundo preto e letras brancas, para maior contraste. Esse recurso está disponível no MobiPocket. É por essas e outras que não definimos na eBooksBrasil nem tipo de letra, nem corpo. Deixamos à escolha do leitor estabelecer sua preferência. Isso, claro, não está disponível nos livros de cola e papel, onde, com freqüência, brancos e tamanho de letras, sem contar cores, são motivos das maiores considerações econômicas.Jornaleco: Quais seriam os próximos avanços (prevísiveis) do ebook e, particularmente, quais serão os do ebookbrasil.
Teotonio: A eBookWeb, ponto de encontro na web dos que se interessam pela evolução dos eBooks, fez recentemente alguns balanços. A conclusão é a exposta já acima: o auê passou, e a indústria dos eBooks está pisando agora chão firme, dando passo após passo... criando hoje o futuro de amanhã. Sem querer fazer o futuro nascer a fórceps. Vai levar tempo, muito tempo. Mas há que perseverar. A eBooksBrasil, a Ridendo Castigat Mores, a Supervirtual e outros tantos estão perseverando, enriquecendo o acervo na internet e, esperamos, ajudando a despertar o prazer da leitura digital em muitos novos e talvez alguns velhos leitores. A chegada à terra prometida com certeza não está reservada para meus olhos.
Jornaleco: Ano passado, escritores gaúchos reunidos em Passo Fundo, disseram desconhecer o livro eletrônico. Como explicar isto em pleno 2001? Será ignorância mesmo ou reação de neoluditas?
Teotonio: Soube disso pelo Baguete Eletrônico. Mas parece que só disseram desconhecer depois de terem discutido por algum tempo sobre os eBooks... Parece que alguém teve a impertinência de perguntar se algum deles tinha visto ao vivo e ligado um eBook. Como não tinham... Acho que é pura e simples má fé com uma pitadinha de desonestidade intelectual.Jornaleco: A Biblioteca Nacional recusa-se a conceder ISBN para o livro eletrônico. Por quê? Até que ponto isto prejudica a difusão do ebook, se é que prejudica?
Teotonio: A bem da verdade, não é que recuse. Pelo último email que troquei com um dos burocratas da área, que acabara de vir da Exposição do Livro de Frankfurt, como declarou, desconhecia que a amazon.com, a powells.com, a barnesandnoble.com já estavam disponibilizando livros com ISBN. Ele me garantiu que não era possível fazer isso ainda. Não mais me interessei pelo assunto. Eles, parece que nunca tiveram sequer o interesse. Para que, não é mesmo?Jornaleco: Ano passado, foste testemunha da primeira grande queima digital de livros. Dá pra nos contar como foi o caso?
Teotonio: Pois é, e foi uma bela queima: mais de 7.000 títulos simplesmente foram para o grande vazio digital. É que à generosidade do pessoal da NuvoMedia sucedeu o interesse dos proprietários do TV Guide, a gemstar. Como disse um dos membros da comunidade dos eBooks: eles compraram os dois melhores cavalos e atiraram no meio dos seus olhos. Compraram o Rocket eBook e o SoftBook, dois dos pioneiros eBook Readers... e cometeram uma trapalhada após a outra. Tiraram a eBooknet do ar, depois a Rocket-Library. Mas não adiantou muito não. Em 4 de julho do ano passado a eBooknet reencarnou-se como eBookweb e a Rocket-Library.com, em 14 de julho, como phoenix-library.org. As datas não foram escolhidas, obviamente, por acaso. E a phoenix-library.org já gerou até mesmo filhote: ebookslib.com/ , fundada por dois dos fundadores da phoenix-library.org. A phoenix ressurgiu das cinzas, em francês, inglês...e português, graças a uma força tarefa internacional sediada no ciberespaço e corporeamente na França, Bélgica, Canadá... e Brasil.Jornaleco: A crítica tem ignorado solenemente a edição digital. Tens alguma explicação para isto?
Teotonio: A crítica está muito preocupada, como sempre, em produzir crítica. Quando houver um mercado parqa os eBooks com certeza, garantido, surgirá uma crítica de eBooks. Só para recordar: a crítica deu lá suas notinhas sobre o lançamento do "primeiro e-book brasileiro", aquele do João Ubaldo.Jornaleco: Como imaginas o status do livro digital daqui a dez anos?
Teotonio: Gozando de boa saúde e com cada vez mais leitores. Foi assim com o livro em papel, não é mesmo? Mas acho que durante um bom tempo ainda predominavam os que gostavam do cheirinho de pergaminho.Jornaleco: Como se fiscaliza o respeito aos direitos autorais, em livros eletrônicos?
Teotonio: Respondendo com outra pergunta: como se fiscaliza o respeito aos direitos autorais dos livros em papel? Estão aí os autores querendo assinatura e numeração em cada exemplar. Exigirão também em cada xerocópia? A questão, acredito, foi bem colocada pela Microsoft e a Associação dos Editores Americanos com seus três Es (Education, Encrypturation e Enforcement) que traduzi livremente como Educação, Encripturação e Efeito Controle, só para manter os três Es. Mas nessa ordem.Para mim, que nada sei, sei que a questão é muito mais de moralidade do que de controle. Tudo o que se diz sobre encripturação é no mínimo para acalmar editores, coisa importante também como prevenção, mas... Passarei a acreditar no dia em que a Microsoft lançar um programa que no dia seguinte não possa ser encontrado à venda na Santa Efigênia. E, pior, com compradores. Será que todos escritores e editores usam programas registrados? Volto a insistir: é uma questão de moralidade. Há mercados mais ou menos honestos, pessoas mais ou menos honestas, e nesse particular o Brasil, bem, o Brasil...Na eBooksBrasil só se usa programas registrados e respeita-se direitos autorais. Se algum livro colocado violar algum direito patrimonial, é só dizer, o livro vai para o vazio do ciberespaço. E mais: defendemos um direito impensado pelos legisladores de direitos autorais, o do autor ter sua obra publicada, em vida e, principalmente, depois de morto. Um direito agora possível de ser pensado, graças aos eBooks.Jornaleco: Qual o retorno que um escritor tem ao publicar uma obra eletronicamente?
Teotonio: O primeiro e mais importante para um escritor que tem vocação e algo importante a dizer: a publicação de sua obra. Costumo dizer: com os eBooks, um autor pode morrer sem ser lido, mas não inédito. Agora, se você pensa em retorno do ponto de vista financeiro, isso ainda vai ter que esperar um pouquinho. O mercado ainda não existe, está em formação. E, diz a boa regra número um do bom senso: a demanda gera sua oferta. Quando mais leitores e cada vez mais leitores procurarem eBooks, aparecerão os vendedores de eBooks, devidamente estabelecidos, com continuidade, fazendo lucros e, talvez, repartindo-os com os autores. Que nem no mercado de papel e cola. Mas os autores podem e poderão se autopublicar. Quando me lembro que Nietzsche teve que pagar para ser editado, isso me reconforta.
(Janer, Mécia e Teotonio)