São Paulo, 10 de outubro de 2008

 

4 poemas de Régis Bonvicino

 

 

 

SEM TÍTULO (1)

Minas, silenciadores, a dissolução prévia do corpo, nadis, flama, recôndito, Sundevil, Léxis-nexis, arpa, sard, cisa, carmina, estrondos, satcoma, satélites, retratos na parede, capricórnio, gama, gorizont, ISSO, parasita, morgancanine mantis, ionosfera, reflexo, & o surto de outras figuras, batedores, white noise, sexo, enseadas, Speakeasy, colmilho, miras estriadas, os ópios de emergência, e um vento, índigo, explosivo, mania, gases úteis para o exercício diário da vida, janela, Bubba, the Love Sponge, onde pousava, de madrugada, a brisa

SEM TÍTULO (2)

Na virtude dos músculos, dias diamantinos, no frêmito de ser & quando efetivo, na força das vigas, no ânimo de paredes, erguidas, gerânios no canteiro, tijolo, um a um, firmes, fio avariado, pupilo de um suicídio, alento de silhueta, na derrocada da cor, estilhas de vidro, aranhas na cama, sol em surdina, persistindo, no tumulto de pancadas, cúpulas, ópio hipnótico, clemência dos meses, brio de ladrilhos, lâmpadas sob o teto, o alento em si do vento no flagelo da janela e demais utensílios, déspota de portas, escombros do cômodo, caliça, verdugo de seu próprio muro, maciço.

SEM TÍTULO (3)

(Between, entre)

Lately, I've seen stars with motors in the sky, from my window, vejo estrelas com motores no céu, da janela de minha sala, a kind of report of the bent wind's gust, um tipo de relato do golpe de vento, butterflies come back to me as, borboletas voltam para mim como primers atiradores detonators gatilhos sniping apara motorcade "parada" silver nitrite nitrito de prata fulminating fulminate grenades granadas incendiary incendiário Termites Cupins fuhreee jacks avião spookwords verbo-espectros not with flashbangs sussurros DIA DIA meteors bólides SASSTIXS SASSÂNIDAS reflection reflexos pixilated aloprado Dictionary Dicionário daysy êxtase Iris Arco-íris jack of all trades pau para toda obra remailers saros TEXTA TEXTA fake traiçoeiro Sara sarracenos Saratoga trunk ventó sphinx esfinge tattoed jasmine jasmim nonac negar-se time tempo water lilies nenúfares imagery a forma definitiva do inseto silent that Starr cale aquela estrela stego stego Bob pêndulo ou isca parvus tolo condor condor Shipload Carga Eden Delícia firefly vaga-lume joe pincel osco passadores lanceros soldados illuminati iluminados lamma ou musgo zero zero prime aurOra life vida

what is left
to my light
o que se deixa
para a luz

para Douglas Messerli

SEM TÍTULO (4)

(Fanti-Axanti)

Caras-douradas, monos-carvoeiros, iguanas, tiês incandescentes, bromélias, orquídeas, saíras, do cimo das árvores, araras, precipitam-se: berloques, chircas, tônis, jias, néticos, Avi Shelter!, no Mar da Ligúria, Cúpula-cáfila, de réplicas - abatis, por mísseis e cifras - contra o plus, o sm@sh, o black - aqui, no Sul, o vento alastra o fogo, o fogo queimando a Mata - Gênova, disparos, balas na cabeça, o corpo esmagado pelo jipe, dos carabinieri - punk bestia!, Alimonda, estigma decapitado, agora, "alcoólotra, amigo das drogas" (Fa Lun Gong, calado! e os da Coca-Cola, na Colômbia, atraidos, assassinando) YA Basta! contro li alieni, lábaros e carros incendiados, vitrines destruídas - o corpo, respect!, vômito & os da tribo bux nígrous, livres, em algum lugar, recôndito, das florestas das Guianas reanimando, escombros

 

 


Biografia

Nasceu na cidade de São Paulo, em 25 de fevereiro de 1955. Formou-se em Direito pela USP, em 1978. Trabalhou como articulista do jornal Folha de S. Paulo e de outros veículos até ingressar na magistratura, em 1990. É casado, desde 1992, com a psicanalista Darly Menconi e tem três filhos: João, 27, Marcelo Flores, 20, e Bruna, 14. Seus três primeiros livros, Bicho papel (1975), Régis Hotel (1978) e Sósia da cópia (1983) foram por ele mesmo editados. Hoje, estão reunidos no volume Primeiro tempo (Perspectiva, 1995). Entre suas participações em leituras de poesia destacam-se as atuações em Buenos Aires (1990); Miami (Miami Book Fair, 1992); Copenhague (1993); na III Bienal Internacional de Poetas em Val-de-Marne (1995), fazendo leituras em Paris (Maison de La Amerique Latine) e Marselha (Centro Internacional de Poesia); Berkeley (1996), com Michael Palmer, e na San Francisco State Universty. Em 1998, apresentou-se com Charles Bernstein no Segue Performance Foundation, de Nova York; no ano de 1999 esteve em Santiago de Compostela, na Universidade de Santiago. Fez leituras em Iowa City (2000), com Michael Palmer, e em Chicago; participou do IV Encontro Internacional de Poetas de Coimbra (2001). Destaca-se ainda sua participação na Feira do Livro da Cidade do México (2004). Seu trabalho está traduzido para o inglês, espanhol, francês, chinês, catalão, finlandês e dinamarquês. Entre 1975 e 1983, dirigiu as revistas de poesia Qorpo Estranho – com três números –, Poesia em Greve e Muda. Fundou, em 2001, e co-dirige, ao lado de Charles Bernstein, a revista Sibila, publicada atualmente pela Martins Editora. Sua homepage é: www.regisbonvicino.com.br

 

 

Poesia
Bicho papel. São Paulo, Edições Greve, 1975.
Régis Hotel. São Paulo, Edições Greve, 1978.
Sósia da cópia. São Paulo, Max Limonad, 1983.
Más companhias. São Paulo, Olavobrás, 1987.
33 poemas. São Paulo, Iluminuras, 1990.
Outros poemas. São Paulo, Iluminuras, 1993.
Ossos de borboleta. São Paulo, Editora 34, 1996.
Céu-eclipse. São Paulo, Editora 34, 1999.
Remorso do cosmos, Ateliê Editorial, 2003.

Plaquetes
Me transformo ou o filho de Sêmele. Curitiba, Tigre do Espelho, 1999.
Hilo de piedra. Plaquete editada pela revista Sibila; revista de arte, música y literatura, nº 10. Sevilha, out. 2002 (com poemas de Céu-eclipse e Remorso do cosmos).

Antologias
Primeiro tempo. São Paulo, Perspectiva, 1995 (reunião dos livros Bicho papel, Régis Hotel e Sósia da cópia).
Sky-eclipse: selected poems. Los Angeles, Green Integer, 2000.
Lindero nuevo vedado. Porto, Edições Quasi, 2002 (com poemas de 33 poemas, Outros poemas, Ossos de borboleta e Céu-eclipse).
Poemas (1999-2003), Ciudad de México, Edição Alforja/Conaculta/Fonca, 2006

Poema coletivo
Together – um poema, vozes. São Paulo, Ateliê Editorial, 1996.

Poesia Infantil
Num zoológico de letras. São Paulo, Maltese, 1994.

Crítica
Desbragada (antologia e estudo da poesia de Edgard Braga). São Paulo, Max Limonad, 1985.
Nothing the sun could not explain / 20 contemporary Brazilian poets. Edited by Michael Palmer, Régis Bonvicino and Nelson Ascher. Los Angeles, Sun & Moon Press, 1997.
The PIP anthology of world poetry, volume 3, Nothing the sun could not explain; 20 contemporary Brazilian poets. Edited by Régis Bonvicino, Michael Palmer and Nelson Ascher. Los Angeles, Green Integer, 2003.
Envie meu dicionário (cartas e alguma crítica), com Paulo Leminski. São Paulo, Editora 34, 1999.

Tradução
LAFORGUE, Jules. Litanias da lua. São Paulo, Iluminuras, 1989.
GIRONDO, Oliverio. A pupila do zero. São Paulo, Iluminuras, 1995.
PALMER, Michael. Passagens. Ouro Preto, Gráfica Ouro Preto, 1996.
CREELEY, Robert. A um. São Paulo. Ateliê Editorial, 1997.
BERNSTEIN, C., MESSERLI, D., COLE, N. e BENNETT, G. Duetos. Paranavaí. Editora UEPG, 1997.
MESSERLI, Douglas. Primeiras palavras. São Paulo, Ateliê Editorial, 1999.

Parceria
Cadenciando-um-ning, um samba para o outro. São Paulo, Ateliê Editorial, 2001 (com Michael Palmer).

Artes Plásticas
Do grapefruit. São Paulo, Edição dos artistas, 1981. (traduções de poemas-instruções de Yoko Ono, com trabalhos gráficos de Regina Silveira e Julio Plaza).