O menino e o monge

 

Capítulo 5

 

 

O tempo

Um ano se passou desde a reunião dos monges. Nesse ano, Jongir estudou muito e fuçou muito a biblioteca. Ia lá sempre que possível, debaixo dos olhares desconfiados de alguns monges que, embora calados, viam nele o traidor a quem o Oráculo se referira. Mas, por mais que o garoto houvesse se esforçado, não achou nada que pudesse ser útil ao iaque, ou a si próprio, uma vez que passara a considerar seriamente a possibilidade de, tanto quanto o animal, estar também enfeitiçado. Daí a perda da memória.

Por outro lado, sua amizade com Yamide estreitou-se e solidificou-se. Se bem que, muito contrariado, tinha de dividir essa amizade com Kam. Que por sua vez não gostava de ver a jovem passeando por aí com Jongir. Esse ciúme que passaram a ter um do outro acabou afastando o noviço do garoto. Kam começou evitando-o, conversando pouco com ele, e, finalmente, sugeriu que seria bom que ele tivesse um quarto só seu, já que dali a pouco seria um adulto, a julgar pelo seu rápido crescimento.

Era verdade. Depois de um ano, Jongir já não parecia tão menino assim. Pelo menos não no tamanho. Crescera, sua voz engrossara, seu corpo estava mais forte e mais bem delineado.

Uma tarde, andando pelas montanhas com Yamide, ouvira-a dizer:

— Jongir, você está ficando bonito.
Ele corou violentamente, teve um acesso de calor e seu coração disparou.

Nesse tempo todo, o iaque não fez quase nada, além de comer, e engordar. Muitas vezes ouvira conversas maledicentes sobre Jongir, sobre as quais achou prudente nada dizer ao menino:
— É...mas morro de vontade...

A mudança

Um dia, ao anoitecer, Kam chamou Jongir para conversarem.


— Jongir, estive pensando. Você está aqui há um ano, cresceu bastante, estudou, leu, aprendeu várias coisas, cumpriu direito suas obrigações, despertou a inveja de alguns e o ciúme de outros. Fez grandes amigos e ganhou aliados. Acho que já está na hora de você ter seu próprio quarto. O do fundo do corredor, ao lado da escada, está vago e já providenciei para que você fique lá.
O garoto abaixou os olhos, contrariado:
— Eu atrapalhei você durante este ano, Kam? Eu sei que sim.
Kam abraçou-o com carinho:
— Não diga isso.
E afastando-se do menino, completou:
— Olha só como você cresceu! Há um ano batia na minha cintura!
— Kam, eu prefiro não sair daqui.
— Vamos lá ver o seu novo quarto.

A primeira noite sem Kam foi difícil.

Jongir sentiu-se profundamente infeliz, como no dia em que havia acordado e não se lembrava de nada. Parecia-lhe que, de novo, mais uma vez, perdera algo. Sem a menor vontade arrumou suas coisas no seu novo quarto, depois sentou-se desolado olhando para lugar nenhum, até que ouviu umas pancadas leves na janela.
Abriu-a e antes que pudesse dizer oi o iaque pulou pra dentro.
— Essa sua mania de entrar aqui é fogo. Se alguém te pega...
— Você não trancou a porta?
— Não trancamos a porta em monastérios. Nem tenho a chave.
— Quarto novo? Ouvi Kam falando sobre isso com Bangor. Que era melhor cada um ter seu próprio quarto.
— É. Mas que porcaria, eu estava tão bem com ele.
— Ei, cara, você andou chorando?
— Sabe o que acontece? Você não tem a mínima sensibilidade.
— O que eu disse de errado? Só perguntei se você andou chorando.
— Não.
E dizendo esse seco “não”, Jongir virou para outro lado, emburrado, e continuou:
— Kam anda estranho disse o garoto. Depois do que o Oráculo disse, que há um traidor aqui, todo mundo ficou estranho. Menos Bangor e Yamide. Sei que alguns suspeitam que eu seja esse traidor, que eu contaria aos chineses sobre a biblioteca, mas porque eu faria isso?
— Sabe, começou o iaque, pausadamente...Nesse tempo todo fui obrigado a me abster do convívio com os homens. Não que eu quisesse, mas virei um iaque e iaques convivem com outros iguais a si. Na qualidade de “iaque temporário”, pude então observar vocês, humanos, à distância. Fiquei preocupado com o que vi. Existe um jogo de disputa, de poder, entre vocês. Por mais espiritualizados que vocês sejam, ou queiram parecer que são. Raros são os que, de fato, conseguem se manter acima das baixezas do mundo.
Jongir olhou muito espantando para ele, que continuou:
— No começo eu estava desesperado para voltar a ser gente agora nem sei se me interessa. Me pergunto se vale a pena. Vocês têm de se defender dos chineses, do frio, dos cães selvagens, e de vocês mesmos. Inacreditável como a palavra de um único homem, pode causar tanto desequilíbrio. Ocorre a vocês, claro, que ele possa estar errado, mas isso não é um sentimento. É uma mera constatação intelectual. Continuo em dúvida se quero voltar a ser humano. Talvez o meu destino seja esse: um iaque que entende a língua dos homens e pronto.
— Beleza, Rinchen...passei um ano estudando feito um desesperado, tentando decifrar aqueles livros, fazendo anotações, experimentando ervas, misturando poções, e agora você vem me dizer que mudou de idéia? Que os monges disputam entre eles? Que...
— O que eu disse, Jongir, é que a alma dos homens é complexa e difícil. E que basta uma palavra, uma frase, para pôr abaixo o que se construiu durante anos. Bastou o Oráculo falar aquilo..
— Mas eles não acreditam que esse “traidor”, se é que ele existe mesmo, seja alguém do monastério.
— Alguns acreditam que esteja entre os monges, sim. Você sabe, escuto muitas conversas por aí.
— E o que você tem escutado?
— Isso. Uns acham que é você mesmo, outros acham que pode ser um dos monges, no dia seguinte a mesma pessoa que achava uma coisa acha outra...enfim...só fofocas e nada além disso. Mas essas fofocas, digamos assim, dá a dimensão da fragilidade da alma humana.
— E o Oráculo? O que você pensa dele?
— Penso que isso foi dito apenas para mostrar a vocês, monges e visitantes dos monges...(e nisso o iaque riu muito) que algumas coisas precisam ser ordenadas dentro de vocês. Agora me conte da chata da Yamide.
— Chata??? Ela não é chata!!!!!
— Claro que é! Implicou comigo desde o primeiro momento, eu me lembro bem. Mas isso não interessa...Conta!Conta!
— Contar o quê? Nós somos....
O iaque deu um longo bocejo e olhou para o teto assobiando.
— Pule as considerações e vamos ao que interessa...
— Não há nada para contar.
— Olha, Kam mudou você de quarto porque está com ciúmes dela e como é um noviço, quase um monge, não pode admitir que sente ciúmes, que está meio apaixonado por ela.
— Você acha que Kam gosta dela, é?



— Arrã...Só você não percebeu ainda. Tem alguma coisa pra comer por aqui?
— Você só pensa em comida, é?

 

Bangor

No outro dia Jongir assistia a aula de Bangor com o pensamento distante, ainda na conversa que tivera com o iaque. O sábio monge percebeu que algo estava errado. Quando a aula acabou ele chamou o garoto para darem uma volta.
— Faz tempo que não conversamos. Vamos até o lago. A vista de uma água tranqüila
deve acalmar um pouco as emoções.

Saíram os dois em direção ao lago. O monge entoava uma velha canção tibetana que falava de como as estações do ano mudavam, de como sempre vinha o sol depois de um longo inverno.
— Assim é o coração dos homens, como as estações. Algumas vezes passamos por coisas não muito boas, não muito agradáveis, mas elas se vão.

Logo chegaram e sentaram-se à margem.
— O que aconteceu, Jongir, que você está assim?
Assim como? ia perguntar o menino, mas lembrou-se de que Bangor conhecia-o muito bem e não adiantava esconder nada dele. Então começou a contar:
— Mestre, eu não estou entendendo o que está havendo, esse é o problema. Kam me mudou de quarto.
— Você cresceu, está na hora de ter um quarto só seu.
— Tudo bem, mas não é isso. Kam está com bronca minha. Acho que é por causa da Yamide. E além disso...os monges desconfiam que sou um traidor, que vou entregar o esconderijo aos chineses, e para terminar não consigo ajudar meu irmão...
Grossas lágrimas desceram pelo rosto do garoto. Lá no alto algumas aves voavam em círculos.
— Seu irmão? Eu nem sabia que você tinha irmão.
— Mestre, eu vou contar a história inteira...

E contou a história do iaque.
Bangor pegou algumas pedras do chão e atirou-as no lago. Círculos se formavam na água, como os círculos das aves no céu.
— Preciso pensar sobre isso e ver como posso ajudar vocês. Quanto ao Kam eu não sei dizer se aconteceu alguma coisa. E quanto ao resto... Claro que seria ótimo que você fosse o traidor, pois isso deixaria a fé e a confiança que todos os monges julgam ter, uns nos outros, intactas. Por isso muitos preferem desconfiar de você. Mas ninguém verbalizou isso, pelo menos não para mim.
— Não?
— Na verdade todos desconfiam de todos. Isso que aconteceu foi muito bom para podermos pôr duas coisas à prova: a confiança que tínhamos uns nos outros e a credibilidade do Oráculo.
— Ele não é o mensageiro dos deuses?
— Ele é apenas um homem. E até mesmo os deuses são falíveis. E acho também que, quando querem, falam direto ao coração dos homens.
— O senhor acha mesmo?
— Acho. Acho que tudo na vida é muito dinâmico. O que vemos e o que deixamos de ver. Então os deuses podem e devem falhar. À medida que o tempo vai passando e estamos temerosos à respeito dos outros, é porque a nossa confiança em nós mesmos foi abalada e sem confiança a vida fica difícil. Não é de você que desconfiam, é de todos. Isso me entristece. Mas, enfim fazer o quê?
E aí Bangor tirou um pedaço de queijo com pão do bolso e disse a ele:
— Vamos comer, não almoçamos, viemos direto pra cá...
O garoto, que estava com fome, enxugou as lágrimas e aceitou na hora.
— E no outro bolso tem sementes, doces e frutas.
Comeram com muito prazer e deitaram-se com as costas apoiadas nas pedras.
— Vontade de dormir um pouco Jongir?
— Não, estou pensando. Puxa, chorar foi muito bom...
— Agora resta você me falar uma outra coisa...
— Qual?
— Sobre Yamide...mas se você não quiser eu vou entender...
— Ela é minha amiga.
— Isso eu sei. Bom..deixa pra lá...eu não tenho nada a ver com isso. Levante-se e vamos andar um pouco para não engordarmos.

E dizendo isso Bangor levantou-se e pegou um galho de árvore no chão, tirou um canivete do bolso e disse:
— Vou fazer um cajado. Estou muito velho para andar sem apoio e ainda temos uma longa tarde pela frente. Recebemos um recado.
— Recado?
— Os pássaros. Você já vai entender.
E saíram andando.

Quando fizeram a primeira curva pelo íngreme caminho, deram de cara com Yamide que vinha descendo a montanha, o rosto afogueado, os cabelos desalinhados, como se tivesse corrido muito. Ou feito muito esforço.
— Olá Yamide, disse o monge, satisfeito ao vê-la.
— Olá, disse Jongir, um pouco contrariado.
— Boa tarde aos dois, ela disse e pegou a mão do monge e com ela tocou sua própria testa, como fazia sempre que se encontravam. Estão passeando?
O garoto olhou para o chão e depois para ela:
— Aonde você estava?
— Estamos passeando sim, interrompeu o monge e pôs a mão no ombro do garoto.
— Eu também estava passeando e estou atrasada para ir para casa. E ternamente pegou a mão do monge e tocou sua testa com ela outra vez.
— Vejo vocês outro dia.
E nem esperou a resposta deles. Saiu afoita pelo caminho.
— Olha isso, disse Jongir. Estava passeando coisa nenhuma. Deve ter ido encontrar alguém. Yamide encontrando alguém escondido! pode uma coisa dessas? E é claro que era Kam!
— Mas no Tibete tudo é escondido, sorriu o monge. Os caminhos montanhosos e cheios de pedras levam as pessoas a imaginar que outras possam estar se escondendo.
O menino pegou uma pedra do chão, visivelmente aborrecido, e atirou bem longe, com força.
— Será que demora muito para eu crescer, de uma vez por todas?

O monge riu muito e olhou seu cajado. Para um objeto improvisado estava muito bonito. Era nodoso, com a ponta fina, o que possibilitava que ficasse apoiado no chão a cada passo do monge:
— Velhos sábios usam cajados e eu sou um velho sábio...Hehehe...
E dizendo isso, Bangor enveredou por um atalho, quase impossível de ser visto. Só quem conhecia muito bem aquelas montanhas sabia que ali havia uma pequena passagem. Caminharam por ele durante uma meia hora, até que o velho monge pôs a mão no ombro do garoto e disse:
— Chegamos.

Bem a frente deles havia uma clareira. E nessa clareira uma casa.

Um pássaro voava fazendo barulho ao bater as asas, como que a dizer ao dono da casa que haviam chegado visitas. O sol brilhava, inclinado um pouco para a direita. Atrás da casa, um pequeno lago refletia toda a simplicidade e beleza do lugar.
— São duas horas da tarde, sussurrou o monge para o menino.
— E aonde estamos? Vocês, monges, são cheios de mistérios, passagens secretas, e caminhos escondidos.
— Somos mesmo. Olha bem, que casa simpática.
O garoto olhou e de repente a porta se abriu e dela saiu um homem muito alto e forte que veio em direção a eles.

— É o Oráculo, disse o monge.

 

O Oráculo

De cada um dos lados do Oráculo vinham dois monges, — pelo menos Jongir achou que fossem monges — que caminhavam com uma certa solenidade e compenetração, vestindo túnicas coloridas. Ao lado direito da casa havia uma escada, que levava ao telhado, aonde uma bandeira de preces farfalhava, agitada pelo vento. O cenário era o mesmo de toda as casas montanhesas, uma amplidão sem fim, atrás dela um pequeno lago dormitava debaixo do céu azul. A casa era simples. À sua entrada, ardiam lamparinas de manteiga e dos incensários saía um cheiro de flores silvestres.

Antes que o menino pudesse se recobrar do espanto, o Oráculo chegou até eles, cumprimentou-os e disse-lhes:
— Boa tarde, meus amigos. Eu preciso dar um recado a vocês. Esperem um segundo.
Deu meia volta, sempre acompanhado dos dois monges, e entrou na casa.

Jongir estava muito impressionado com tudo aquilo. Passara um ano estudando, aprendera muitas coisas, afeiçoara-se a Kam, tentara descobrir como fazer a poção para o iaque virar um rapaz outra vez, conhecera Yamide e agora estava ali, à frente do Oráculo. E ele era diferente de tudo que o garoto havia imaginado. Não tinha uma cara severa de feiticeiro, de mago, mas sim um grande e simpático sorriso.
Só então se deu conta da suavidade da mão de Bangor em seu ombro, e do quanto ele o tinha ajudado e ensinado todo esse tempo. Inesperadamente o menino voltou-se, abraçou o monge e disse-lhe:
— Obrigada por tudo Bangor, obrigado mesmo.
O monge sorriu e acariciou sua cabeça.

Nisso os sons graves de duas enormes cornetas ecoaram pelo pátio.
Então o Oráculo saiu da casa e começou a caminhar. Solene.

Impressionante. Parece que havia crescido mais ainda. Na cabeça tinha um aro de metal que equilibrava uma estrutura com vários bordados de miçangas. O rosto dele, transfigurado, tinha sido pintado com tinta vermelha. Toda sua roupa, assim como o aro metálico que lhe circundava a cabeça, tinham cores fortes e vivas, sempre predominando o vermelho e o amarelo.

O Oráculo deu um primeiro passo na varanda e começou a tremer. Imediatamente um dos monges postou-se ao lado dele, segurando seu braço. Tratava-se do monge que interpretaria a sua fala, quando os deuses começassem a enviar mensagens. O Oráculo andou até o meio do terreno e parou. Todo seu corpo estremecia como se estivesse sendo chacoalhado por alguma coisa. Jongir estava atônito.

Então o mensageiro dos deuses começou a ficar com o rosto endurecido, as mandíbulas cerradas e seus enormes dentes, à mostra, se fecharam numa mordida. Os olhos abriram-se muito, e ele olhou o menino de um modo estranho. Como se não olhasse diretamente para ele, mas através dele. Jongir agarrou-se a Bangor, um pouco temeroso. Todo o corpo do Oráculo tremia e estava tenso como o seu rosto. Da sua boca escorria um fiozinho de saliva.

Jongir queria sair correndo dali para algum lugar, mas Bangor segurava-o pelo ombro com firmeza.

Então, numa voz gutural e numa língua estranha, o Oráculo começou a falar. Ninguém entendeu nada, a não ser um dos monges que anotava tudo num pedaço de papel. Isso durou muito pouco, talvez três minutos, mas para o menino foi uma eternidade. As pedras ecoavam as palavras incompreensíveis do Oráculo, transformando-as num som amedrontador. Rolos de fumaça saíam dos incensários e subiam em direção aos céus.

De repente, tudo cessou. Os sons pararam de ecoar, os monges pegaram o Oráculo e o reconduziram, tenso e endurecido, para dentro de casa. No pátio ficou apenas o monge que havia feito as anotações. De dentro da casa, voltou um dos monges que havia entrado com o Oráculo, trazendo dois copos de chá. Estendeu um a Bangor, e o outro a Jongir. O menino estava com muita sede, tomou rapidamente o seu e aceitou mais um.
O monge que havia anotado a fala do Oráculo, aproximou-se e estendeu um papel a Jongir:
— Prepare isto aqui e dê para o iaque tomar.
O menino pegou o papel trêmulo, e perguntou:
— Obrigado, puxa...Isto aqui é para o iaque virar homem de novo?
— Isso eu não sei, respondeu o monge que havia trazido o papel.
Bangor antecipou-se às prováveis futuras perguntas do garoto e disse ao monge:
— Agradeça ao Oráculo por nós.
E fez uma reverência respeitosa, acompanhado pelo menino.
Então eles se dirigiram ao atalho de onde tinham vindo.

Jongir estava boquiaberto.
— Mestre, eu tenho de preparar isso aqui?
— Se você quiser...Se não quiser, esqueça. Como eu disse, o Oráculo pode se enganar, não é?
Jongir respirou profundamente e olhou para o alto. E quando olhou, viu Kam lá em cima, na última pedra.

— Mestre, olha é Kam!!!! O que ele está fazendo aqui? Perguntou o garoto, intrigado.
E nisso o vulto de Kam se moveu e desapareceu entre as pedras.
— Passeando como nós.
— Não é!!! Ele veio se encontrar com Yamide! Tenho certeza disso!!!!
— Calma, Jongir...e se for isso o que que tem?

Jongir sentiu sua garganta estrangulada e a boca seca.

— Como o quê que tem? Yamide não pode namorar Kam, só isso.
— Não pode?
— Não. Ele é um monge.
— É um noviço ainda. E quem disse que estão namorando?

Jongir não quis ouvir mais nada. Disparou pela estrada, deixando um aturdido Bangor para trás.

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