História e Lenda

 

 


Tito Lívio Ferreira

 

O historiador Tito Lívio Ferreira nasceu em Itapuí-SP, em 4 de junho de 1894 e faleceu em São Paulo, capital, em 15 de dezembro de 1988, com 94 anos.

Teve uma longa vida, toda ela dedicada à história e à cultura, razão pela qual, transcrevemos apenas uma biografia resumida. Fez os estudos primários em sua terra natal, iniciou os secundários na cidade de Jaú e terminou-os em Piracicaba. Mais tarde bacharelou-se em Direito pela Universidade Fluminense.

Foi um dos fundadores do Centro do Professorado Paulista e um dos primeiros a lutar pelo pagamento das férias dos professores, na década de 30.

Foi professor dos três níveis. Deu aulas de Francês no Ginásio Ipiranga, de História Medieval, História das Américas e História da Antiguidade na PUC-SP. Ministrou Curso de Extensão Universitária, na PUC de Porto Alegre-RS, em 1962, sobre História de Portugal.

De 1946 a 1963 exerceu o cargo de Historiógrafo-Chefe da Seção de História do Museu Paulista (Museu do Ipiranga).

Colaborou durante trinta anos, regurlamente, em vários jornais paulistas, entre os quais A Gazeta e o Estado de São Paulo.

Foi titular da cadeira nº 11 da Academia Paulista de Letras, diretor do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, e fundador da Academia Paulistana da História.

Recebeu a condecoração de São Tiago da Espada do Governo Português e a Grã-Cruz da Ordem do Ipiranga, do governo do estado de São Paulo.

Eecreveu 15 livros de história e três — didáticos — de francês.

Bibliografia:

História e Lenda - São Paulo, 1944.

Gênese Social da Gente Bandeirante - Cia. Editora nacional, São Paulo,1944.

O abrasileiramento do brasileiro - Editora Guaíra, Curitiba, 1946.

Padre Manoel de Nóbrega, Fundador de São Paulo - Editora Saraiva, São Paulo, 1957.

História da Civilização Brasileira - Editora Biblos, São Paulo, 1959.
(em colaboração com seu irmão Manoel Rodrigues Ferreira)

História da Beneficência Portuguesa de São Paulo - Editora Saraiva, São Paulo, 1959.

História de São Paulo (2 volumes) - Editora Biblos, São Paulo, 1964.

História da Educação Luso-Brasileira - Editora Saraiva, São Paulo, 1966.

A maçonaria na Independência Brasileira - Editora Biblos, São Paulo, 1962.
(em co-autoria com seu irmão Manoel Rodrigues Ferreira)

Nóbrega e Anchieta em São Paulo de Piratininga - Editora do Conselho Estadual de Cultura, São Paulo, 1970.

Técnica da Pesquisa Histórica - São Paulo, 1977.

O Idioma Oficial do Brasil é o Português? - São Paulo, 1977.

A Ordem de Cristo e o Brasil - Editora Ibrasa, São Paulo, 1980.

Portugal no Brasil e no Mundo - Editora Nobel, São Paulo, 1984.

 

O historiador Tito Lívio devolveu a Nóbrega o seu lugar como fundador de São Paulo:

"Em 1548, o padre Manuel da Nóbrega foi convidado por D. João III para chefiar os primeiros jesuítas mandados para o Brasil. Em 1549, Nóbrega chega à Bahia, em companhia de Tomé de Sousa, e começa ali os trabalhos de catequese com os seis jesíitas que para o Brasil vieram como seus auxiliares. Em fevereiro de 1553, o padre Nóbrega está em São Vicente, onde já estava funcionando o colegio fundado pelo padre Leonardo Nunes. Em junho desse mesmo ano, o padre Manuel da Nóbrega sobe ao planalto Piratininga e manda Leonardo Nunes à Bahia buscar mais jesuítas. Em agosto de 1553, Nóbrega reúne três aldeias no local onde hoje é o Pátio do Colégio e faz os primeiros 50 catucumenos, reza missa e funda o colégio de Piratininga. Em 24 de dezembro de 1553 chegam os jesuítas da Bahia trazidos por Leonardo Nunes. Entre eles está o irmão José de Anchieta, noviço, sem ordens de missa, recomendado ao padre Nóbrega, que o escolhe para seu secretário. E no dia 25 de janeiro de 1554, no local onde já fora erguida, a pedido de Nóbrega, pelos companheiros de Tibiriçá, a primeira cabana, o padre Manuel de Paiva, designado por Nóbrega e tendo como coroinha o irmão Anchieta, celebra a missa padroeira do dia de São Paulo.Durante 14 anos, de 1554 a 1567, Nóbrega e Anchieta não se separam nos trabalhos de Piratininga e São Vicente. Em 1567 Nóbrega manda Anchieta ordenar-se sacerdote na Bahia, enquanto o primeiro fundava o colégio do Rio de Janeiro. A 18 de outubro de 1570, no Rio de Janeiro, Nóbrega falece aos 53 anos de idade, 21 dos quais destinados à organização da catequese e do ensino público e gratuito no Brasil. Anchieta, já sacerdote, vai substituí-lo nessa obra e continuar-lhe os trabalhos por mais 27 anos, pois virá a falecer no Espírito Santo em 1597. "Na fundação de São Paulo, pois, Anchieta foi um ajudante que obedecia às ordens de Nóbrega. Há os sentimentalistas, que vêem em Anchieta um santo e que gostariam de tê-lo como fundador de São Paulo. Essa, porém, é outra história, que nada tem a ver com a História."

O livro que o Jornaleco publica é História e Lenda, sua primeira obra, cuja única edição é de 1944, pela Editora Civilização Brasileira. Curiosamente, era o o livro que o Professor Tito Lívio mais gostava. Boa parte das suas crônicas foi publicada no jornal O Estado de São Paulo, nos anos de 1942, 1943, 1944.